entre a incredulidade e o deslumbramento – 1.º acto

23 04 2007

Platão, um dia, falou-nos de uma caverna.

‘Pediu-nos’ que imaginássemos um muro alto que tinha como função separar o mundo tal qual o vemos e uma caverna.

Nessa caverna existia uma fenda pela qual passava um raio de luz. No interior da caverna encontravam-se alguns seres humanos. Seres humanos esses que viviam sem nunca se terem visto uns aos outros nem a si mesmos. Encontravam-se de costas para a entrada, acorrentados, sem possibilidade de se mexerem e forçados a olhar somente para a parede do fundo da caverna, na qual apenas sombras do que se passava do lado de fora eram projectadas. Esses seres humanos julgavam que essas sombras eram a realidade.
Um dos seres humanos aprisionados decidiu abandonar essa condição e fabricou um instrumento com o qual quebrou as correntes que o prendiam. Depois de solto foi-se movendo, lentamente, avançando na direcção do muro, escalando-o com muita dificuldade assim como a todos os obstáculos que foi encontrando… e saiu da caverna. De início ficou cego pela luminosidade do Sol, e teve bastantes dores ao fazer movimentos pela primeira vez.Sentiu-se dividido entre a incredulidade e o deslumbramento. Incredulidade porque tinha que decidir onde se encontrava a realidade: no que via agora ou nas sombras em que sempre viveu. Deslumbramento porque os seus olhos não conseguiam ver com nitidez as coisas iluminadas. O seu primeiro impulso foi voltar à caverna para se livrar da dor e do espanto, atraído pela escuridão, que lhe parecia mais acolhedora. Além disso, precisava aprender a ver e essa aprendizagem era dolorosa, fazendo desejar a caverna onde tudo lhe surgia como familiar e conhecido.

Mas o ‘prisioneiro’ persistiu e permaneceu no exterior. Aos poucos, habituou-se à luz e começou a ver o mundo. Encantou-se, teve a felicidade de finalmente ver as próprias coisas, descobrindo que estivera prisioneiro a vida toda e que durante a sua prisão vira apenas sombras. Não podendo evitar lastimar a sorte dos outros prisioneiros, tomou a decisão de regressar ao subterrâneo sombrio para contar aos demais o que viu e convencê-los a se libertarem também. Neste retorno, os demais prisioneiros gozaram com ele, não acreditando nas suas palavras e, não conseguindo silenciá-lo dessa forma, tentaram fazê-lo espancando-o.

Se mesmo assim ele teimar em afirmar o que viu e os convidar a sair da caverna, certamente acabarão por matá-lo. Mas, quem sabe, alguns poderão ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidirão sair da caverna rumo à realidade.

Platão, um dia, falou-nos de um TERRITÓRIO DE GUERRA!
 

m aka mego
Alcobaça

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One response

9 08 2007
cris

Adorei….
Bjs

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