territórios de paz

25 04 2007

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Cabo Ruivo_Lisboa





paz nas estradas – 1ª parte

25 04 2007

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mural de graffiti em homenagem a todas as pessoas que, de alguma forma, foram vítimas deste flagelo que domina Portugal. para reflectir sobre a “guerra” que se assiste diariamente nas nossas estradas.

ship_kier_smile_são & friends
Évora





entre a incredulidade e o deslumbramento – 1.º acto

23 04 2007

Platão, um dia, falou-nos de uma caverna.

‘Pediu-nos’ que imaginássemos um muro alto que tinha como função separar o mundo tal qual o vemos e uma caverna.

Nessa caverna existia uma fenda pela qual passava um raio de luz. No interior da caverna encontravam-se alguns seres humanos. Seres humanos esses que viviam sem nunca se terem visto uns aos outros nem a si mesmos. Encontravam-se de costas para a entrada, acorrentados, sem possibilidade de se mexerem e forçados a olhar somente para a parede do fundo da caverna, na qual apenas sombras do que se passava do lado de fora eram projectadas. Esses seres humanos julgavam que essas sombras eram a realidade.
Um dos seres humanos aprisionados decidiu abandonar essa condição e fabricou um instrumento com o qual quebrou as correntes que o prendiam. Depois de solto foi-se movendo, lentamente, avançando na direcção do muro, escalando-o com muita dificuldade assim como a todos os obstáculos que foi encontrando… e saiu da caverna. De início ficou cego pela luminosidade do Sol, e teve bastantes dores ao fazer movimentos pela primeira vez.Sentiu-se dividido entre a incredulidade e o deslumbramento. Incredulidade porque tinha que decidir onde se encontrava a realidade: no que via agora ou nas sombras em que sempre viveu. Deslumbramento porque os seus olhos não conseguiam ver com nitidez as coisas iluminadas. O seu primeiro impulso foi voltar à caverna para se livrar da dor e do espanto, atraído pela escuridão, que lhe parecia mais acolhedora. Além disso, precisava aprender a ver e essa aprendizagem era dolorosa, fazendo desejar a caverna onde tudo lhe surgia como familiar e conhecido.

Mas o ‘prisioneiro’ persistiu e permaneceu no exterior. Aos poucos, habituou-se à luz e começou a ver o mundo. Encantou-se, teve a felicidade de finalmente ver as próprias coisas, descobrindo que estivera prisioneiro a vida toda e que durante a sua prisão vira apenas sombras. Não podendo evitar lastimar a sorte dos outros prisioneiros, tomou a decisão de regressar ao subterrâneo sombrio para contar aos demais o que viu e convencê-los a se libertarem também. Neste retorno, os demais prisioneiros gozaram com ele, não acreditando nas suas palavras e, não conseguindo silenciá-lo dessa forma, tentaram fazê-lo espancando-o.

Se mesmo assim ele teimar em afirmar o que viu e os convidar a sair da caverna, certamente acabarão por matá-lo. Mas, quem sabe, alguns poderão ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidirão sair da caverna rumo à realidade.

Platão, um dia, falou-nos de um TERRITÓRIO DE GUERRA!
 

m aka mego
Alcobaça





TdG

12 04 2007

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Ricardo Campos
Lisboa





SUGESTÃO VISEU: “Aqui na terra”, pelo Cineclube de Viseu

10 04 2007

Durante os meses de Abril, Maio e Junho, o Cineclube de Viseu está a organizar “AQUI NA TERRA“, um ciclo de filmes e documentários que pretendem “relançar a discussão em torno de questões humanas e bélicas como é o caso da guerra dos Balcãs, a Alemanha de leste ou a dor provocada pelo tédio conjugal e os protocolos associados a ele” (in jornaldocentro.pt).

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TER 10 ABR – SONHAR COM XANGAI
de Xiaoshuai Wang, Qing hong, China, 2005, 123 min
“Sonhar com Xangai é um filme de uma enorme subtileza e dor, num tom asfixiante e desencantado, bem representativo dos caminhos do cinema chinês nestes dias.” (Jorge Leitão Ramos, Expresso, 26.08.2006)
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TER 17 ABR – FILHA DA GUERRA
de Jasmila Zbanic, Grbavica, Áustria / Bósnia-Herzegovina / Alemanha / Croácia, 2006, 90 min
“Um dos mais belos documentários dos últimos anos, uma obra formalmente austera que não força o tempo e o deixa falar por si.” (Dan Fainaru, Screen International, 2006)
 
 

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TER 24 ABR – O PARAÍSO, AGORA!
de Hany Abu-Assad, Paradise Now!, Palestina / França / Alemanha / Holanda / Israel, 2005, 90 min
“O filme está aí, com toda a sua fragilidade e os seus méritos, com uma vontade enorme de relançar a discussão.” (Francisco Ferreira, Expresso, 02.09.2006)
 
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TER 08 MAI – AS VIDAS DOS OUTROS
de Florian Henckel von Donnersmarck, Das Leben der Anderen, Alemanha, 2006, 137 min
“Uma ficção tornada documento, a história negra de um país concentrada num gesto austero de cinema: é o que basta para transformar esta primeira obra multipremiada num filme político de longo alcance.” (Francisco Ferreira, Expresso, 16.02.2007) 
 

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TER 15 MAI – O HERÓI
de Zezé Gamboa, Portugal / Angola / França, 2004, 90 min
“Filme simples, “naïf”, mas a querer ser solidário, a querer intervir e contribuir para a consciência de uma realidade sem ser propagandístico ou melodramático. É pouco? Talvez, mas eu gostei de ver. E gostava que outros gostassem.” (Jorge Leitão Ramos, Expresso, 15.05.2004)
 
 

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TER 22 MAI – PECADOS ÍNTIMOS
de Todd Field, Little Children, EUA, 2006, 130 min
“São histórias de sentimentos dilacerados, do tédio conjugal à insuportabilidade das tendências perversas, em fundo de marasmo familiar e moralista – num ritmo que demora o tempo de percebermos quer a dor quer a irrisão. O elenco é de primeira água.” (Jorge Leitão Ramos, Expresso, 10.02.2007)

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TER 29 MAI – AS TARTARUGAS TAMBÉM VOAM
de Bahman Ghobadi, Lakposhtha hâm parvaz mikonand, Irão / França/ Iraque, 2004, 95 min
“As Tartarugas Também Voam” é mais uma peça para alimentar o mistério do cinema iraniano, o único verdadeiro grande mistério de todo o cinema contemporâneo.” (Luís Miguel Oliveira, Público, 29.12.2006)
 
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TER 05 JUN – ENCURRALADOS
de Ryan Fleck, Half Nelson, EUA, 2006, 106 min
“Há muito tempo que não víamos no cinema americano, mesmo no cinema ‘indie’, tanta vontade de abrir feridas.” (Vasco Câmara, Público, 23.02.2007)

Sugestão enviada por
Luís, Viseu





eu não fui ao Ultramar e orgulho-me disso

4 04 2007

O TERRITÓRIO DE GUERRA está dentro da minha cabeça. Da tua cabeça. Não é um território, é mais um plano. Fisicamente ele manifesta-se onde haja um ou mais corpos vivos, mas essa é apenas a centelha da questão de que nos podemos lamentar: a violência, propriamente dita. O resto não sabemos muito bem onde acaba, quando acontece e nem se vem por bem ou por mal. Simplesmente acontece. Dos estilhaços e das crateras que ficam nas nossas mentes desarranjadas brotam, por vezes, flores. Vida! Outras vezes só ficam as manchas do choque de forças e nada mais cresce para esses lados. Então movemo-nos para outros pensamentos…Ou então não.E essas batalhas de ideias e os dilemas que nos ocupam a mente dia após dia? Às vezes até tomámos uma posição definida, mas a luta continua (seja EM nós ou ENTRE nós). E destas batalhas nascem as formas mais vigorosas de vida. Os movimentos artísticos, os Talibans, a democracia e os crustáceos. A variação é espantosa e interminável, tanto quanto o plano por onde se estende o pensamento. Quanto mais viajante a mente é, mais inflexões de forças encontra, mais hábil e conhecedora se torna na luta… e mais cicatrizes grava no Corpo.

Cansei-me e localizei-me. Estrategicamente mergulhei sobre o ponto sensível do problema dos dilemas: como evitar os conflitos e viajar ao mesmo tempo? De uma guerra de 2 anos ou 3 resolveu-se a ideia de que a guerra NÃO tem de estar na minha cabeça! As guerras não são minhas, são das ideias: eu só as observo! É direito do ser consciente não tomar posição. Aprendi a viajar não com a atenção no conflito, mas por cima dele: no após, nas flores que dali nascem ou podem nascer.

Fiz de mim apenas o veículo para poder mostrar a riqueza microscópica que há na panorâmica que se vai deslindando: o Pacífico no plano mental.

Craft
Almada
04.04.2007