Conhecer a Diferença – Destruir a Indiferença – Instituir a Igualdade

Existe um pouco por toda a parte o medo do que é diferente. O medo do desconhecido.
Cedo este sentimento dá lugar à desconfiança, à apreensão, ao impasse, ao desconforto que se sente na presença do estranho.
Chegando a este ponto há duas soluções:
Ou tratamos de resolver a nossa dúvida e vamos esclarecer-nos, perceber como vive, como pensa, como podemos conviver e construir juntos o nosso espaço comum
Ou podemos, perturbados pelo receio e desconfiança, hostilizar ou afastar-nos, sem comunicar e sem conhecer, enfim, os que connosco partilham o espaço da comunidade, criando pequenos universos hostis ou indiferentes.
Quero aqui encorajar o uso da primeira solução:
Olhar, reflectir, contactar conviver, conhecer a diferença.
As pessoas que colaboraram comigo (…) estão aqui retratadas segurando as mensagens por elas escritas (…). Ao abordá-las, eu desenhei nas suas folhas um sinal de desigualdade e outro de igualdade e pedi que escrevessem:
≠ em frente ao sinal de desigualdade, um desejo pessoal (…)
= em frente ao sinal de igualdade, o que, no seu entender, é mais importante na relação entre os seres humanos, aquilo que mais falta nos faz e se torna precioso para que se viva bem em comunidade.
Não será esta resposta transversal a qualquer diferença?
Olhando as imagens,
Parece-me que todos conquistaram o seu lugar.
Todos pertencem ali. Todo o cidadão do mundo teria ali o seu lugar sem destoar da melodia que todos parecem cantar – a da Humanidade.
E consigo imaginá-los a todos (…): Homem, Mulher, Criança, Velho, Incapacitado, Cristão, Judeu, Ateu, Budista, Muçulmano, Cigano, Negro, Branco, Amarelo, Vermelho, Daqui e d’Acolá, Homossexual, Hetero, Bi, Trans…
Qual deles está errado? Qual está certo? Alguém está a mais?

Lourenço Cabrita Gonçalves